Admire as lindas paisagens naturais, de um dos lugares mais selvagens do Japão

O henro — peregrino — é a imagem mais onipresente na ilha de Shikoku. Caminhando com dificuldade no calor ofuscante ou durante as monções de dimensões bíblicas, são reconhecidos facilmente, trajando seus hakues —vestimenta branca — para simbolizar a pureza de pensamento, abrigados sob um sugegasa — chapéu de palha —, que tem protegido peregrinos do sol e da chuva desde tempos imemoriais, e batendo com seus kongozues —bastão de caminhada colorido — no chão.

Os peregrinos acreditam que o kongozue seja a personificação do há muito falecido, iluminado Kõbõ Daishi, que, segundo dizem, acompanha todos os peregrinos em suas jornadas, o que explica os dizeres encontrados em tantas mochilas: dogyo nínin, que significa “duas pessoas na mesma jornada”.

A rotina de cada um dos templos raramente varia. Há o badalar de um sino, os cânticos do Sutra do Coração no Daishi-do — um dos prédios principais do complexo de cada templo —, antes de se registrar na nokyosho — mesa — onde os monges residentes escrevem o nome do templo e a data da peregrinação em belos caracteres.

A jornada tradicionalmente começa em Tokushima-ken, lar dos primeiros 23 dos 88 templos ao longo dos poderosos e hipnotizantes remoinhos do canal de Naruto, do dramático cenário montanhês e dos profundos I’desfiladeiros do vale de Iya.

Paisagens remotas como essa explicam por que, antes de serem criados mapas e guias confiáveis, os peregrinos frequentemente desapareciam no interior de Shikoku e nunca retornavam, como uma densa névoa.

A parte mais desolada fica ao longo da acidentada costa do Pacifico, na prefeitura de Kochi-ken, que cobre um terço da quilometragem, mas inclui apenas dezesseis templos.

O 75 templo, e maior de todos, Zentsu-jí, é especial por ser o local de nascimento do iluminado, e dizem que as canforeiras musgosas que rodeiam o pagode de cinco andaresw datam de uma época anterior à existência de Kõbõ Daishi.

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